14/07
Amor com amor se aprende
É na convivência também que aprendemos uma série de medidas para dar conta de amar e educar ao mesmo tempo. Pois quando percebemos o tamanho do amor que podemos sentir por um filho, a tarefa mais difícil é não superproteger. Sim, amar demais não faz mal. Mas superproteger a ponto de não deixá-lo experimentar o novo por medo de que algo ruim aconteça, pode prejudicá-lo. Por isso voltamos à questão do “ser firme”, ainda que, muitas vezes, o que vem em troca não seja nada agradável.
“Um simples ‘não’ pode engatilhar seus olhos de fúria e descarregar uma onda de ódio que parece amaldiçoar as três últimas gerações. Mas antes de sucumbir ao desgosto e perguntar aos céus se ‘hunf! é para isso que a gente cria filhos?’, é bom saber uma coisa: é nessas horas que as crianças dão seus maiores saltos de crescimento. Ao contrário do que parece, é assim que os pequenos podem consolidar seu amor pelos pais”, afirmam os autores Ivan Capelatto, David Moisés e Angela Minatti no livro Prepare as Crianças para o Mundo, parceria do Unicef e Instituto Ayrton Senna.
Pais amorosos não são pais permissivos. “Achar que impôr limites pode fazer os pais perderem o amor dos filhos é paranoia. Se sempre for baseado no respeito à criança, essa turbulência não vai provocar isso”, afirma o psicólogo Yves de La Taille, um dos coordenadores do Instituto de Psicologia da USP. Assim como tudo na educação do seu filho, o desenvolvimento da capacidade afetiva dele se dá a partir do que aprende. Conceitos como empatia, solidariedade ou compaixão só se consolidam quando os pais têm o hábito de ouvir o que os filhos têm a dizer. Começa na primeira infância, quando eles ainda não são capazes de articular os sentimentos. O mesmo vale para a maneira como você se relaciona com seu companheiro, seus amigos, seus pais, irmãos, os empregados da casa, se você mente ou não, se sabe perdoar. “Me vigio o tempo todo, porque sei que, mais do que as minhas palavras, são as atitudes que vão fazer diferença na educação do Pedro. Hoje, eu me encanto toda vez que observo como ele trata as pessoas. É recompensador”, diz a atriz Nádia.
Essa dedicação exige tempo. Principalmente se a quantidade de horas ao lado do seu filho estiver longe do que você gostaria, é fundamental que esse momento seja exclusivo com ele, longe do celular, do computador, da novela. E que também esse amor jamais seja transmitido somente com presentes ou outros agrados. Que tal fazer uma salada juntos, arrumar o armário, brincar de cabaninha, dormir na mesma cama de vez em quando. Afinal, o que importa é poder construir boas memórias.
Dar amor ao seu filho é ensiná-lo a viver, prepará-lo para o mundo. Para este mundo que está aqui e agora, não somente para o futuro. Passar noções de cidadania, do respeito pelo outro, por mais diferente que esse seja de nós, até porque ninguém vive sozinho. Ensinar a cuidar da natureza para o seu futuro, dos seus filhos e netos e, principalmente, mostrar que são nas coisas simples que o amor está realmente mais presente.
É por isso que amar a criança com todos os cuidados que a educação dela merece nunca, nunca vai ser demais. E será o maior aliado no caminho por um mundo melhor.
FONTE: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI189985-18161-2,00-AMAR+DEMAIS+NAO+FAZ+MAL.html
Equipe Pedagógica Educação Infantil e 1º ano do ensino fundamental I
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